domingo, 24 de fevereiro de 2008

pedra olhar parado
fixado na próxima ação

(aproximação)

toque, tato
a pele em pêlos
à flor do vento
à flor da brisa

toque
saliva
sangue
suor

fogo
cigarro
silêncio
calado

inspira
expira
absorve
e morre.

para os que têm pressa

a poesia
na ação do dia:

verso vivo
correndo solto
nas entrelinhas
do alvoroço.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

palavra é sangue
nas veias do poema

a palavra f(r)aca
cravada na veia vital

e o poema está morto.



"a poesia está morta
mas juro que não fui eu."

cena urbana




a janela em movimento

mas ela segue imóvel no automóvel

veloz cidade

retrovisada e refletida
em seus olhos fotografantes

quadros seqüenciais

cidadela na tela.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

um dos prazeres

a parte de cima da carne da fruta
é a parte mais doce
é a parte mais fruta

na melancia
a pele é macia
a fruta é vermelha

uma mordida
e minha língua mais doce
outra mordida
e seu vermelho-pele mais pede.

sábado, 9 de fevereiro de 2008

Prêmio Escritores da Liberdade

O Prêmio Escritores da Liberdade, inspirado no filme Freedom Writers, foi criado pelo blog Batom Cor de Rosa e me chegou pelas telas do Timbres e Cores e d’O poeta escreve calado, na solidão de sua alma.

O prêmio é um ótimo pretexto para a idéia de divulgar o trabalho de escritores e autores que utilizam o espaço virtual pra dividir suas emoções, seus sentimentos, suas histórias e seus textos.

Além dos cinco blogs que me cabem indicar, tomo a liberdade de também sugerir a leitura dos dois blogs supracitados.

O Timbres e Cores reúne as impressões de Polly Barros acerca do mundo. E que impressões! Ela é de uma sensibilidade e de uma lucidez que encantam. Além de seus escritos, o blog também traz recortes de outros autores, derramando muitas cores, sons e danças nas páginas da tela.

O poeta escreve calado, na solidão de sua alma, blog de George Ardilles, é humano. Muito humano. Todos os sentimentos, ânsias e inquietações que nos acompanham estão revelados na sua escrita. A solidão é pulsante, o amor é pulsante. Aqui, a vida pulsa.

Nas linhas que se seguem, vão trilhando os cinco blogs que indico, cinco escritores da liberdade, pessoas que trazem seus mundos para esse mundo:

A felicidade vai: o blog de Gilmara Joane me chamou muita atenção, de imediato, pela identificação que surgiu com o que ela escreve. Uma escrita que revela o que há de mais ordinário e vil, mas também o que há de mais doce, ingênuo e pueril nas pessoas. Tudo com uma linguagem muito concisa, enxuta e precisa!

Anteforma: foi por conta do blog de Alexandre Lima que comecei, de fato, a ler blogs com mais freqüência. A escrita de Alexandre escarra na cara. Escarra aquela vida real com cheiro de gente real e com som de ruas, casas e bares reais. Escarra nossa solidão, nossas misérias, nossos sonhos e devaneios. Há textos que me lembram roteiros de filme. E filme dos bons!

Instintos, doçuras e ferocidades – a escrita de Clarissa Marinho me chegou depois de tê-la conhecido. Aí vem a surpresa! Mesmo ela quase nunca parando em casa, porque vive nas festas desse mundo, ela ainda arrumava tempo para escrever! E com muita sensibilidade! Mesmo não gostando da síndrome dos maníacos do trechinho, vou abrir um parêntese para lembrar de Lispector:

“Suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contato... Ou toca, ou não toca.”

Pois então, Clarissa toca.

Letricidade – a escrita de Renálide Carvalho nasce da caneta afiada no fio da vida. A poesia dela – e nossa, porque também nos revela – está nas ruas da madrugada, nos conflitos, no que é cortante, no que provoca arrepios, dores e prazeres.

Menina Mentira: Conheci Iza num fim de noite, num bar lotado e tendo que dividirmos mesa. Parece que ela captou no ar o gosto pela literatura e o assunto não poderia ter sido outro. Mais cervejas, guardanapos e troca de endereços. Depois veio a leitura do que ela escreve... e é tudo muito bom! Escrita criativa, perturbada, um universo feminino todo exposto e muito bem posto.


Quem recebeu o selo deve repassá-lo para mais 5 blogs. Pois então, faça uma boa ação e nos indique as boas leituras que moram no seu tempo.


quando se cansava de tudo

dos gritos das paredes
daquela casa vazia

da conspiração morna
daqueles objetos mórbidos

das alucinações vividas
na sua realidade de ansiedades

quando se cansava de tudo
subia no teto da casa e voltava a ser criança

fazia bolhas e bolhas e bolhas de sabão
e voava junto com elas, dentro delas
para longe do cotidiano de ruínas frias
para perto das lembranças aquecidas pelo sol

fazia bolhas e bolhas e bolhas de sabão
e voava junto com elas, dentro delas
para mundos que (re)conhecia
para pessoas que (re)encontrava

depois latejava de felicidade
chorava e passava a habitar, então, o interior dessas lágrimas
queria viver em bolhas e gotas

mas as bolhas estouravam
e as lágrimas secavam

e o abismo a tragava de volta
e ela tragava o último cigarro vivo.