quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

inércia moderna

pois quando tudo é nada
parece que os lençóis da nossa cama
perdem as cores
parece que o café da nossa cozinha
fica frio
e o filme da sala de espera
parece que sempre nos espera
e nunca começa.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

unhas vermelhas
boca na carne do batom
um alto salto
e ela chega para as luzes
da alta noite quente

passos, pessoas
encontros pelos cantos
e uma vontade repartida
entre fazer tudo escondida
entre fazer tudo à deriva.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

receita para se ter um bom dia

a palavra posta
na mesa da tua manhã:

café
comida
e saliva perdida.

terça-feira, 15 de julho de 2008

silenciada

a língua seca

obcecada

em não dizer nada.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

no papel da folha
a caneta pinga tinta

e eu peço uma pinga.

para se chegar no cerne

sugar seiva
e suar essência.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

diluindo a sede

saudade do salgado suor
que salta de teus poros
e vira água sagrada
para meu corpo deserto.